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Roberto Carlos em Ritmo de Aventura (1968), Parte II

In Filme on 03/08/2009 at 11:27 PM

roberto aventura

Os filmes de Roberto Carlos são importantes, pois revelam um amplo painel  da cultura brasileira nos anos 60. Roberto Carlos em Ritmo de Aventura faz parte de uma trilogia, completada por “Roberto Carlos e o Diamante Cor-de-rosa”, de 1970, e “Roberto Carlos a 300 Quilômetros por hora”, de 1971. Todos foram dirigidos por Roberto Farias. Apenas no último Roberto Carlos não interpreta a si mesmo, mas um mecânico que sonha em ser piloto de Fórmula 1.

O filme é o resultado de uma parceria entre Roberto Carlos e Roberto Farias, que já havia dirigido em 1962 o filme “Assalto ao trem pagador”, bem recebido pela crítica e público. Junto com o filme, no mesmo ano, Roberto Carlos, com seu super-grupo RC-7, lançava o disco que é considerado o melhor de sua carreira, Roberto Carlos em Ritmo de Aventura.
O antagonismo entre o grupo que se uniu em torno da Jovem Guarda e o público dos festivais, incluindo aí o tropicalismo, era evidente. O que ficou conhecido como “Jovem Guarda” foi alvo de críticas hostis, acusações de alienação, descompromisso, e até de compactuação com o imperialismo americano. Entretanto, para constatarmos o impacto provocado pela Jovem Guarda e sua importância, basta analisar as vendagens de discos, audiência do programa e bilheteria deste filme.
Sua penetração popular não revela, mas oculta muitos aspectos da nacionalidade brasileira, e é aí que reside sua importância para nosso projeto. O rock brasileiro, ou a Jovem Guarda, merecem ser encarados como manifestações da contracultura em nosso país. O que hoje em dia soam como canções ingênuas, representaram um certo tipo de rebeldia para os padrões morais de sua época. E no final dos anos 60 e início dos 70, alguns desses mesmos artistas radicalizaram suas propostas estéticas e musicais, em algo que pode ser considerado a psicodelia brasileira. Ronnie Von foi o responsável por introduzir Os Mutantes no cenário musical, gravando com eles e Rogério Duprat seu LP de 1968. Erasmo Carlos, o outrora Tremendão, lança em 1971 o disco “Carlos, Erasmo”, no qual mistura com genialidade rock, samba, berimbaus e referências psicodélicas explícitas.
Roberto Carlos não assumiu a mesma postura. Na virada da década, Roberto Carlos se estabelece como um cantor das multidões, já coroado “Rei” por Abelardo Barbosa, o Chacrinha, em 1966. Assim, tem início sua fase romântica. Não por isso menos criativa musicalmente. Sua ligação com o Soul e a música negra americana tiveram grande êxito, como nas músicas “As curvas da estrada de Santos”, de 1969 e “Todos estão surdos” e “Como dois e dois são cinco”, de seu LP de 1971. Portanto, enquanto os dois últimos filmes da trilogia revelam ainda uma ingenuidade, musicalmente, muitos daqueles artistas davam sinais claros de maturidade.
O filme analisado aqui também adota alguns experimentos do cinema de vanguarda, como a meta-linguagem, pois estamos assistindo a um filme dentro do filme durante toda a narrativa, demonstrando que não se trata de um mero pastiche, mas carrega toda a complexidade de uma época.

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Rádio Brasil: Nação e nacionalismo | No 6

In Música on 20/05/2009 at 3:55 AM

Roberto Carlos | Você não serve pra mim [1968]  Compositor: Renato Barros | LP “Roberto Carlos em ritmo de aventura” | CBS

Não fique triste, não se zangue
Com tudo que eu vou lhe falar
Sinto demais, porém, agora
Tenho que lhe explicar
Você comigo não combina
Não adianta nem tentar
Não vejo mais razão nenhuma
Para continuar

Não quero mais seu amor
Não pense que eu sou ruim
Vou procurar outro alguém
Você não serve pra mim, não serve pra mim

Uma palavra de carinho
Jamais ouvi você falar
Seu beijo tão indiferente
Foi o que me fez pensar

No tempo que eu estou perdendo
No amor que eu tenho para dar
Deve existir alguém querendo
O que você não quis ligar

Não quero mais seu amor
Não pense que eu sou ruim
Vou procurar outro alguém
Você não serve pra mim, não serve pra mim

Pode ser que alguém
Lhe queira dar um grande amor
Quero que você seja feliz
Com outro alguém porque eu . . .

Não quero mais seu amor
Não pense que eu sou ruim
Vou procurar outro alguém
Você . . . não serve pra mim

Não serve pra mim, não serve pra mim

Rádio Brasil: Nação e Nacionalismo | No 4

In Música on 14/05/2009 at 1:20 PM

Língua de Trapo | Samba-Enredo da TRP [1985] Compositores: Carlos Melo e Laert Sarrumor | LP “Como é bom ser Punk” | RGE

http://www.archive.org/download/LnguaDeTrapo/LnguaDeTrapo_vbr_mp3.zip

TRP pede passagem, pra mostrar sua bateria
E seu passado de coragem, defendendo a Monarquia
Salve Plinus Zorreira Zorrileira, precursor da linha-dura
Grande baluarte da ditadura
Legislador da Inquisição, implacável justiceiro
Homem de grande erudição, lia Mein Kampf no banheiro
No tribunal de Nuremberg, defendeu o Mussolini
Sob os auspícios do Lindenberg
E hoje ele se preocupa com a infiltração comunista
No clero progressista (e o Lefebvre)
Lefebvre, fiel companheiro incomparável amigo,
Irrepreensível mentor
Exerce completo fascínio e vai incutindo em Plinus
O gênio conservador
Digno de um poema do Ezra Pound, quer que o
Brasil se transforme num imenso Play Ground
No carnaval a escola comemora nascimento de Nossa Senhora
E a defesa da tradição, cantando esse refrão:
Anauê, Anauê, Anauá, TRP acabou de chegar (repete)
E hoje sou fascista na avenida, minha escola é a mais querida
Dos reaça nacional (repete)
Plim, plim, plim, plim, plim, plim, plim, plim, plim,
Era assim que a vovó seu Plinus chamava